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Atualidade - 20/04/2017    Comentar   Facebook
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Detalhes de delação da Odebrecht complicam situação de Fernando Pimentel

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Entre os centenas de arquivos da Operação Lava Jato, disponibilizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e conferidos minuciosamente pela reportagem da Itatiaia, está um vídeo com a delação do ex-diretor de crédito à exportação da Odebrecht, João Nogueira. No depoimento, ele afirma ter se reunido mais de uma vez com o governador Fernando Pimentel (na época ministro), depois da eleição de 2014, principalmente para alertar a presidente Dilma Rousseff sobre o impacto da Operação Lava Jato e saber o posicionamento do Governo Federal. Segundo João Nogueira, eles chegaram a conversar sobre a Operação Acrônimo. 

“O Bené (Benedito Rodrigues de Oliveir) já tinha sido detido, fui interlocutor do Bené, então nós tratamos da Operação Acrônimo e ele me disse: 'não João, acho que isso não vai longe'. Ele atribuiu a operação a uma denúncia anônima oriunda do grupo político adversário dele, mas que havia, de fato, amigos de perto essa operação e que ele achava que não ia longe”, disse Nogueira na delação.

O delator também afirmou que Fernando Pimentel teria intermediado conversa entre o Governo Federal e a Odebrecht, no final de 2014, a pedido da empreiteira, para conferir se a presidente Dilma Rousseff apoiaria uma ação judicial da construtora Engevix pedindo que o processo da Lava Jato saísse das mãos do Juiz Sérgio Moro e fosse para o Supremo Tribunal Federal (STF).  “Você teria como sondar o ministro Pimentel a respeito, enfim, de alguma eventual reação do governo, de como o governo está vendo esse cenário? Peguei um avião, fui a Belo Horizonte e o ministro (Fernando Pimentel) me recebeu na casa dele. E o ministro me disse que não sabia, mas que iria sondar o governo e que ele entendia que alguma ação deveria ser feita em função da escalada da crise. Ele entendia a gravidade do cenário”, disse o delator.  

O argumento da empreiteira Engevix, segundo o delator, era que o processo deveria ser encaminhado para o STF por causa da citação de políticos com foro privilegiado, mas, na verdade, a preocupação da empresa era que o crescimento da crise politica pudesse levar a derrocada do governo e a queda da empresa.

Para convencer a presidente Dilma Rousseff de que ela não estava blindada e precisava intervir, Marcelo Odebrecht, segundo João Nogueira, teria pedido pessoalmente que Pimentel levasse para a petista comprovantes de caixa 2 recebidos pela campanha dela. 

O advogado do governador Fernando Pimentel, Eugenio Paccelli, respondeu por meio de nota que essa paranoia de intervenção na Lava Jato é tese do Ministério Público Federal (MPF) e que delatores são obrigados a subscrevê-la. Esclarece ainda que houve uma impugnação sobre competência e apenas o Poder Judiciário decidiria a questão. Ainda conforme o advogado, em relação à denuncia de que o petista teria levado para Dilma recibos de caixa 2 de campanha, Pimentel nunca foi mensageiro de bobagens dessa natureza e essa parte da delação é de uma pobreza franciscana. 

Sobre a informação do delator João Nogueira, de que Pimentel teria se reunido várias vezes com ele e Marcelo Odebrecht, em Belo Horizonte e em Brasília, o advogado do governador respondeu que se ele teve encontro com Marcelo, com Nogueira, ou com uma série de empresários com pretensões junto ao Governo Federal, a resposta não satisfaz a pergunta porque Ministros de Estados mantém relações institucionais inerentes ao cargo. Sobre a Acrônimo, a informação do delator de que Pimentel teria amigos olhando de perto a e que a investigação não iria longe, é uma história mais furada que rede de futebol e qualquer suspeita fundada sobre manobras políticas de adversários não se traduz em ação alguma. 

Paccelli encerrou a nota afirmando que os inúmeros vícios da Acrônimo estão e continuarão sendo questionados na instância legítima: no Poder Judiciário. Por meio de nota, o PSDB de Minas Gerais afirma que não tem qualquer relação com a investigação da Polícia Federal na Operação Acrônimo.

Itatiaia