A+ A-

Atualidade


Atualidade - 09/05/2013    Comentar   Facebook
Fechar

Comentar

Delegado suspeito de atirar na cabeça da namorada é proibido de comparecer à audiência pública

Capa
O delegado Geraldo do Amaral Toledo Neto suspeito de atirar na cabeça da namorada, de 17 anos, em Ouro Preto, na região Central do Estado, não compareceu a uma das audiências públicas promovida pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia de Minas (ALMG), na manhã desta quinta-feira (9). O objetivo era colher esclarecimentos acerca da suspeita de tentativa de homicídio. A garota continua internada no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte.

A juíza de Ouro Preto, Lúcia de Fátima Magalhães, não autorizou a participação do delegado sob a alegação de que ele está preso. Em ofício, a magistrada alega que não acatou o pedido dos deputados porque “o fato em apuração não se amolda à competência da Comissão de Direitos Humanos”. Na sexta-feira (3) o Tribunal de Justiça de Minas negou pedido de habeas corpus apresentado pelos advogados de Toledo.

O autor do requerimento para a convocação do delegado, deputado Sargento Rodrigues (PDT), argumentou que a Assembleia Legislativa tem a prerrogativa de convocar qualquer servidor público do Estado, a qualquer tempo, para prestar esclarecimentos. “Se a ALMG tem competência para convocar secretários de Estado, como não a teria para convocar um delegado?”, questionou Rodrigues.

Diante da situação, os deputados aprovaram um requerimento de autoria da comissão, solicitando o envio de ofício ao corregedor-geral de Justiça de Minas Gerais. No documento, os parlamentares pedem que seja cumprida a requisição pela convocação do delegado, com base em vários artigos da Constituição da República e do Estado. Eles esperam que a liberação para que Toledo Neto seja conduzido à Assembleia saia a tempo para que a audiência não precise ser remarcada novamente. Outro requerimento aprovado pela Comissão pede que seja apurada, pela Corregedoria-Geral de Justiça, a conduta da juíza Lúcia de Fátima nesse episódio.

Compareceram à outra audiência pública apenas o corregedor-geral da Polícia Civil, Renato Patrício Teixeira, e a delegada Agueda Bueno do Nascimento, que investiga o caso. O delegado informou que Geraldo é alvo atualmente de dez inquéritos policiais, nove sindicâncias e ainda dois processos administrativos. Cópias de todos esses processos foram requisitada pela Comissão de Direitos Humanos.

Já a delegada apontou contradições entre os depoimentos de Toledo Neto e as investigações realizadas pela instituição. De acordo com ela, a conduta adotada pelo delegado na data do incidente pressupõe uma série de atitudes para dificultar a apuração do caso. Apesar do e inquérito ainda estar em andamento, ela adiantou que a versão do delegado aponta muitas falhas, omissões e mentiras. Uma delas é a ausência de vestígios de pólvora nas mãos da menor, o que afasta a hipótese de tentativa de suicídio.

Inocência
Durante a reunião, Durval Ângelo leu uma carta enviada a seu gabinete pelo delegado. No texto, Toledo Neto se diz vítima de uma armação por inimigos na própria polícia e afirma que é inocente, colocando-se inclusive como padrinho e protetor da menor.

A adolescente foi baleada dentro do carro do delegado, durante uma briga entre o casal, em uma estrada entre Ouro Preto e o distrito de Lavras Novas, no último dia 14. Toledo alega que a jovem teria tentado se matar. No entanto, um exame residuográfico feito nas mãos da menor não encontrou presença de pólvora, o que indica que ela não teria feito o disparo.
Após deixar a jovem na UPA, Geraldo Toledo teria ido à residência de Gomide, pegado roupas e dinheiro, e ainda deixado o carro no local. Em seguida, o delegado teria seguido para a casa de uma ex-namorada, em Belo Horizonte.

Diante do não comparecimento, o presidente da Comissão, deputado Durval Ângelo (PT), remarcou a audiência para o próximo dia 27.

o tempo
Foto: Facebook/Divulgação